A Olimpíada Campinense de Matemática

A Olimpíada Campinense de Matemática (OCM) é uma atividade de extensão realizada pela Unidade Acadêmica de Matemática e Estatística da Universidade Federal de Campina Grande, Campus Campina Grande, desde 1983. Portanto, já tem maioridade e uma longa história que vem ao encontro dos objetivos que fundamentam a filosofia de olimpíadas culturais, na medida em que constitui um meio efetivo de detectar e estimular estudantes para estudos da Matemática, e prepará-los para competições nacionais e internacionais através de uma competitividade saudável.

A OCM, no decorrer desse tempo, sofreu várias mudanças. Nos primeiros anos, era aplicada apenas para alunos do ensino médio. No início dos anos 90, foi também estendida para estudantes das 7ª e 8ª séries do ensino fundamental. Só a partir de 1998, a OCM passou a ser realizada para alunos do ensino fundamental (a partir da 5ª série), além do ensino médio. Nos últimos cinco anos, mais de 10 mil estudantes de mais de 60 escolas de Campina Grande e cidades circunvizinhas foram inscritos para participar da Olimpíada Campinense de Matemática.

"Nas olimpíadas esportivas a vitória de muitos é participar e descobrir os próprios limites, enquanto que, nas olimpíadas culturais, como é o caso das Olimpíadas de Matemática, sempre há ganhadores", disse o professor José Vieira Alves, coordenador regional da Olimpíada Brasileira de Matemática.

Um bom número de estudantes campinenses já foram premiados na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) que teve, no ano passado, mais de 80 mil participantes de todas as regiões brasileiras.

Os ex-olímpicos campinenses são também detentores de vários primeiros lugares nos vestibulares da Universidade Federal da Paraíba e de aprovações no vestibular do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), considerado um dos mais difíceis do Brasil. Inclusive, um deles, que é aluno do ITA, Cleiton Diniz Pereira da Silva e Silva, foi considerado um dos doze melhores alunos de toda a história daquele Instituto, tendo sido premiado com o certificado de "Summa cum laude" (com máximo louvor).

Outros ganhadores das olimpíadas merecem destaque, a exemplo do professor e doutor Walfredo Cirne Filho, atualmente vinculado à Unidade Acadêmica de Sistemas e Computação - UASC/CCT/UFCG, que foi, em 1987, o único aluno fora do eixo Rio/São Paulo a ser premiado na Olimpíada Brasileira de Matemática, tendo inclusive participado de uma olimpíada mundial, realizada em Camberra, na Austrália, no ano de 1988. Diogo Diniz Pereira da Silva e Silva, medalha de bronze na 24ª OBM, nível universitário, ocorrida em 2002, é outro exemplo de muita dedicação e aplicação. Ele foi o primeiro paraibano a ser premiado nesse nível da Olimpíada.
Anderson Gleryston Silva Sousa, ex-aluno de escola pública, medalha de bronze no nível 1 da Olimpíada de Maio realizada no ano passado, também obteve bons resultados na OCM, o que lhe rendeu bolsa de estudo em uma escola privada.

Por ser uma longa relação dos ex-olímpicos campinenses com sucesso, o mais ilustre deles é o estudante Murali Srinivasan Vajapeyam, de 22 anos, que foi o primeiro brasileiro a ganhar duas medalhas de ouro na Olimpíada de Matemática do Cone Sul, uma olimpíada internacional realizada desde 1988. Ele é também um dos poucos brasileiros a participar de três olimpíadas mundiais (1996, 1997 e 1998), tendo conquistado uma medalha de bronze e uma menção honrosa. Foram, ao todo, 7 medalhas (3 de ouro, 2 de prata e 2 de bronze) e 1 menção honrosa em Olimpíadas Internacionais de Matemática, além de 5 medalhas (2 de ouro, 2 de prata e 1 de bronze) e 1 menção honrosa em Olimpíadas Brasileiras de Matemática.

"Murali é um craque da Matemática, possuidor de mente brilhante e uma vontade infinita", comenta o professor José Vieira. Além de ter sido aprovado no vestibular do ITA, ter sido primeiro lugar no vestibular da Universidade Federal da Paraíba (1997) e ter realizado 7 viagens ao exterior para participar de olimpíadas, ele não se contentou com suas vitórias. É provavelmente o primeiro e único brasileiro a conseguir transferência do curso de Engenharia Elétrica da UFCG para o Instituto Tecnológico de Massachussetts (MIT), em Cambridge, nos Estados Unidos, onde faz simultaneamente graduação e mestrado com louvor.

Murali ficou na 1ª colocação (isolada) por quatro vezes na Olimpíada Campinense de Matemática, tendo por duas vezes um aproveitamento de 100%. Ele recebeu duas medalhas de prata na Olimpíada Brasileira de Química e uma menção honrosa na Olimpíada Norte/Nordeste de Química, além de quatro premiações na Olimpíada Campinense de Física. Seu irmão, Madhavan Srinivasan Vajapeyam, também participou da Olimpíada Campinense de Matemática, tendo conseguido a 3ª e 4ª colocação nos anos de 1993 e 1994, respectivamente. Atualmente ele faz doutorado em Engenharia Elétrica nos Estados Unidos.

"Ser bem sucedido nas olimpíadas é difícil e muitas vezes frustrante, requer bastante trabalho e dedicação, mas se você tiver força de vontade e determinação para superar essas dificuldades, verá que vale a pena participar", declarou Murali, que considera as olimpíadas como ponto fundamental para o seu sucesso na vida acadêmica. "Graças às olimpíadas consegui enriquecer o meu currículo, permitindo-me a admissão em um instituto de alta qualidade que é o MIT. Também adquiri uma maior capacidade de raciocínio, fazendo com que tivesse um bom desempenho em disciplinas difíceis", ressaltou.

Quem é - Murali Srinivasan Vajapeyam é natural de Campina Grande e filho do professor Vajapeyam Srirangachar Srinivasan, do Unidade Acadêmica de Engenharia Civil - UAEC/CCT/UFCG, e da médica e professora universitária Vijayalakshmi Srinivasan.
Concluiu o ensino médio no Colégio Imaculada Conceição (DAMAS) e ingressou posteriormente no curso de Engenharia Elétrica do CCT/UFCG. Trabalhou com o projeto da Olimpíada Campinense de Matemática, no Unidade Acadêmica de Matemática e Estatística, e foi bolsista da PRAC/UFPB. Nas horas vagas, gosta de jogar xadrez, ouvir rock, participa do coral do Instituto Tecnológico de Massachussetts e gosta de sair com os amigos.

Na sua avaliação, considera que o CCT/UFCG "tem um nível muito bom de professores e dos cursos que oferece".